Silmara Martins




A arte sempre fez parte da minha vida. Mas foi aqui, no sítio Tapari, que ela ganhou um sentido ainda mais profundo. Entre as árvores antigas e o canto dos pássaros, encontrei inspiração para transformar a madeira reaproveitada em móveis rústicos, o cipó em filtros dos sonhos, e para cuidar das abelhas Jataí, que nos oferecem o própolis e das abelhas Apis Mellifera o mel e a cera — presentes puros da Mata Atlântica.
No artesanato, cada peça que crio traz um pouco de espiritualidade e beleza natural. Na apicultura, cada colheita é feita em família, celebrando a vida saudável e o respeito pela floresta.
Meu propósito é simples: viver de forma sustentável, cuidar da terra e, ao mesmo tempo, levar bem-estar para quem se conecta com o que produzo.
Minha caminhada não foi fácil. Houve muito trabalho e, muitas vezes, pouco reconhecimento. Ainda assim, lembro com carinho do início: um tempo de descobertas, de entusiasmo, de perceber que era possível construir uma vida mais tranquila, com alimentos frescos, ar puro e a sabedoria dos saberes ancestrais.
Tive a honra de ter essa história registrada pelo filósofo, professor, Dr Paulinho em seu livro Tapari e suas narrativas caiçaras. Ele escreveu sobre nós de uma forma que traduz o que sinto todos os dias:
“Propriedade gerida por pessoas de sonhos possíveis… uma opção corajosa e otimista de quem aposta no ideal de vida simples diante desse mundo neoliberal, capitalista e consumista.”
É exatamente isso.
O sítio Tapari não é só o lugar onde vivo e trabalho. É o espaço onde cultivo sonhos possíveis, onde cada criação, cada colheita e cada passo são guiados pelo desejo de um mundo mais justo, fraterno e sustentável.