Sirlei Borsoi




Capim Capiá – Raízes Caiçaras
Minha história com o artesanato começa na Juréia, em Iguape (SP), onde cresci cercada pela natureza e pela simplicidade da vida caiçara.
Na infância, o tempo corria no ritmo das marés, das redes de pesca e do cheiro de café coado no fogão a lenha. Ali, entre conchas, sementes, troncos arrastados pela maré e os saberes silenciosos dos mais velhos, nascia meu olhar para o fazer manual.
Com o passar dos anos, essas memórias se transformaram em criação. Meu trabalho é uma continuação desse modo de viver: respeitoso, autêntico e conectado com a terra.
Uso materiais naturais como sementes, madeiras, cipós, fibras, cerâmicas e conchas. A partir deles, dou forma às minhas peças com técnicas tradicionais como o crochê e o macramê, aprendidas com tempo, observação e afeto. Essas técnicas me permitem entrelaçar histórias, formas e significados — sempre respeitando o ritmo da natureza e a essência de cada material.
Cada peça carrega um pouco da minha história e da história do povo que habita esse litoral há gerações: os caiçaras, com sua sabedoria passada de forma oral, entre conversas à beira do fogão ou no embalo das canoas.
Crio com o coração e com as mãos. Cada biojoia ou mandala é uma forma de manter viva essa memória e identidade.
O nome Capim Capiá vem de uma planta nativa que brota forte e resistente nas áreas alagadas da Juréia, onde cresci. Sempre me chamou atenção pela delicadeza do movimento ao vento e pela força com que resiste ao tempo. E representa exatamente o que carrego no meu trabalho: a leveza da criação com raízes firmes na terra, na história e na ancestralidade do povo caiçara.
Crio artesanato como uma forma de preservar a memória da infância vivida em Iguape. Cada peça, seja uma biojoia ou um objeto decorativo, é um elo entre o passado e o presente. Busco valorizar os saberes tradicionais, usar materiais naturais e traduzir em arte a beleza da vida simples e conectada com a natureza.
Acredito que meu trabalho impacta positivamente a cultura local ao fortalecer o sentimento de pertencimento e identidade.
Quem compra ou aprecia meus artesanatos reconhece um pedaço da história caiçara.