Estela Morais




“Tudo começou só observando…”
Desde muito nova, comecei a me encantar pelo crochê e pelo tricô. Eu tinha por volta de nove anos quando passei a observar, em silêncio, minha mãe com as agulhas de tricô e minha avó com o crochê. Ninguém me ensinou formalmente — fui aprendendo sozinha, só de olhar. Pegava as agulhas e tentava repetir os movimentos. Errava, refazia… e assim fui descobrindo o meu jeito.
Com o tempo, fui me sentindo cada vez mais segura. Hoje, olho um modelo e já sei como fazer. Crio de tudo um pouco: roupinhas, chaveiros, peças decorativas… o que me dá vontade, eu tento — e faço.
Na época da faculdade de Artes, o crochê virou também uma forma de sustento. Fazia peças para vender e, com isso, ajudava a pagar os estudos. Nunca deixei de crochetar. Lá em São Paulo, mesmo com a rotina corrida, sempre encontrava um tempo. Depois de casada, continuei. E agora, aposentada, o crochê virou ainda mais o meu refúgio — um hobby que me faz bem, me acalma, me ocupa com leveza.
Entrei para a associação, e isso trouxe novas trocas, aprendizados e conexão com outros artesãos que também trabalham com as mãos e com o coração.
Hoje, dou preferência para peças pequenas, como chaveirinhos, roupinhas de boneca, coisas miúdas e cheias de detalhe, que ajudam a passar o tempo e continuam levando um pouco de mim em cada ponto.
Porque o artesanato sempre esteve comigo. E acho que sempre vai estar.